Além dos efeitos materiais, a exclusão é também um estado espírito. Dois indivíduos em mesma situação podem sentir-se de forma diferente e isso se dá porque a decepção e o sofrimento mental e físico, neste caso, depende dos desejos não realizados, e tenho a percepção de que os desejos têm construções individuais. Vejam, não estou a tornar absoluta a subjetividade, mas estou repondo em questão o que fica esquecido.
Dito desta maneira, também me sinto excluído e todo ser excluído deseja sua inclusão. Sou excluído das realizações que pretendo.
Mas quero esclarecer: Eu sou eu e meus desejos, logo não há inclusão com mudança de meus desejos, se isso acontece eu é que mudei e não estou afirmando que não possa mudar.
Porém se quero me incluir eu prefiro incluir o conjunto de coisas que me compõe, quero incluir o mundo que acredito, o modo de vida que acho justo.
A minha exclusão, assim, não é pessoal é de conjunto.Instituir um modo de vida através dos atos é lutar contra a exclusão para quem se sente excluído.
17.2.10
24.1.10
Andando
Os espaços que vejo têm a regularidade da vida, uma perfeita inconstância capaz de arrastar tudo em direção ao que não é pleno. E daí? nunca fiquei aperreado com o que é imperfeito. Só há paz nos cemitérios e ainda não morremos. Viver é pelejar.
13.6.09
Lacuna
Se olharmos para a realidade como um eterno fluir, como nos propõe Heráclito, podemos refletir que a lacuna ou a interrupção é apenas uma mera aparência, uma conclusão de um olhar apressado. A inconstância ou a mudança permanente é um estado natural e faço questão de afirmar minha inclusão no turbilhão.
Me por em estado de silêncio não é sinônimo de não ter o que falar. Vejo o teor da fala proporcional ao ouvido de quem ouve e acostumados ao que é familiar não temos por hábito desnaturalizar aquilo que por vezes é óbvio.
Os ouvidos estão viciados e à vezes as falas se perdem como uma mensagem posta em uma garrafa e atirada ao mar.
Não falar é dizer demais ou pelo menos é a pista dada. Ora, tudo que está a nossa volta está disposto ao conhecimento e eu até respeito quando o individuo conscientemente decide não refletir, o problema é quando não o fazemos por pura incapacidade.
7.6.09
Pessimismo e otimismo
O pessimismo não está vinculado ao diagnóstico de uma dada situação, mas sim aos caminhos possíveis dados a ela.
Se por acaso chego a conclusões desagradáveis diante de uma realidade, ou episódio e assim o qualifico, não quer dizer que devo necessariamente ser tragado por ela, devo sim significá-lo. É na significação dada por nós aos eventos da vida que reside toda ocorrência de pessimismo ou otimismo.
Uma gama de otimistas quer simplesmente ignorar a ocorrência de situações ruins e se recusam a diagnosticar ao mesmo tempo em que sentem incomodo ao verem outras pessoas fazerem esse árduo serviço, e aí pecam por ignorarem uma realidade que pode ser o solo de uma circunstância qualitativamente superior e passam a viverem como bobo alegres, sempre em conformidade com as piores coisas.
Os pessimistas, não raras às vezes, têm a proeza de identificarem mais facilmente realidades inadequadas, mas pecam ao serem sucumbidos pelas circunstâncias e acabam caindo em um imobilismo e na prostração, passando a viverem como mortos-vivos, zumbis que esperam o fim, e incapazes de uma práxis acabam contribuindo para a reprodução das coisas que alimentam suas aflições.
Em ambos os casos, se observarmos com rigor, esses sentimentos não surgem meramente dos episódios, mas do sentido que damos a eles. Por isso que a questão do projeto é tão importante.
Esses são sentimentos invariavelmente construídos pelas pessoas. Um obstáculo pode levar ao pessimismo, mas pode ao mesmo tempo servir de impulso, assim um verdadeiro otimista jamais deveria ignorar as ocorrências negativas, pois elas são combustíveis para novas e melhores realidades.
Se por acaso chego a conclusões desagradáveis diante de uma realidade, ou episódio e assim o qualifico, não quer dizer que devo necessariamente ser tragado por ela, devo sim significá-lo. É na significação dada por nós aos eventos da vida que reside toda ocorrência de pessimismo ou otimismo.
Uma gama de otimistas quer simplesmente ignorar a ocorrência de situações ruins e se recusam a diagnosticar ao mesmo tempo em que sentem incomodo ao verem outras pessoas fazerem esse árduo serviço, e aí pecam por ignorarem uma realidade que pode ser o solo de uma circunstância qualitativamente superior e passam a viverem como bobo alegres, sempre em conformidade com as piores coisas.
Os pessimistas, não raras às vezes, têm a proeza de identificarem mais facilmente realidades inadequadas, mas pecam ao serem sucumbidos pelas circunstâncias e acabam caindo em um imobilismo e na prostração, passando a viverem como mortos-vivos, zumbis que esperam o fim, e incapazes de uma práxis acabam contribuindo para a reprodução das coisas que alimentam suas aflições.
Em ambos os casos, se observarmos com rigor, esses sentimentos não surgem meramente dos episódios, mas do sentido que damos a eles. Por isso que a questão do projeto é tão importante.
Esses são sentimentos invariavelmente construídos pelas pessoas. Um obstáculo pode levar ao pessimismo, mas pode ao mesmo tempo servir de impulso, assim um verdadeiro otimista jamais deveria ignorar as ocorrências negativas, pois elas são combustíveis para novas e melhores realidades.
O império da palavra
Vivemos sob o império da palavra. Se olharmos atentamente para a sociedade perceberemos que elas têm muito mais peso que os atos.
É impressionante como as pessoas são valorizadas pelo que dizem independentemente do que fazem.
Não ponho em dúvida a importância que a fala tem para o mundo, porém há uma evidente falta de equilíbrio típica de uma coletividade que se torna a cada dia presa a toda sorte de mecanismos extra mundo, digo metafísicos. A força reside no fazer e não no dizer, mas é o inverso que se faz relevante para todos.
O funesto de tal feita reside no fato de que ninguém repara o mundo, o que é feito ou não feito, mas o que se diz sobre. Os conceitos são construções humanas fundamentais, mas com pouca ou nenhuma serventia quando desvinculadas da prática.
Concluo que os discursos já não me satisfazem e se quer me dizer algo, não diga pratique. Prove-me com os atos e não com palavras para que eu possa vincular as palavras a eles, se não vazio e desonesto será.
P.S. Todos falam que educação é importante... E daí? O que há de prática?
É impressionante como as pessoas são valorizadas pelo que dizem independentemente do que fazem.
Não ponho em dúvida a importância que a fala tem para o mundo, porém há uma evidente falta de equilíbrio típica de uma coletividade que se torna a cada dia presa a toda sorte de mecanismos extra mundo, digo metafísicos. A força reside no fazer e não no dizer, mas é o inverso que se faz relevante para todos.
O funesto de tal feita reside no fato de que ninguém repara o mundo, o que é feito ou não feito, mas o que se diz sobre. Os conceitos são construções humanas fundamentais, mas com pouca ou nenhuma serventia quando desvinculadas da prática.
Concluo que os discursos já não me satisfazem e se quer me dizer algo, não diga pratique. Prove-me com os atos e não com palavras para que eu possa vincular as palavras a eles, se não vazio e desonesto será.
P.S. Todos falam que educação é importante... E daí? O que há de prática?
29.5.09
A hora H
Que tudo tem solo firme na contradição não há dúvida, porém há momentos em que conciliações não são possíveis e em tais ocasiões meias palavras não bastam e atitudes precisam emergir do subsolo. Essas ocasiões atendem por antagonismo e se não ousamos sair do subterrâneo sucumbiremos no silêncio perpetuo dos túmulos e reinaria a paz, pois em tal instante não haveria mais vida, dando-se por encerrada a guerra.
Atentemos para o fato de que tudo pode conciliar-se enquanto a contradição é tolerável, mas toda forma tem seu fim na esteira do eterno fluir.
Heráclito me prova mais uma vez que está certo: “Pánta Rheî”, ou seja: “Tudo flui”
Atentemos para o fato de que tudo pode conciliar-se enquanto a contradição é tolerável, mas toda forma tem seu fim na esteira do eterno fluir.
Heráclito me prova mais uma vez que está certo: “Pánta Rheî”, ou seja: “Tudo flui”
22.5.09
Meu desassossego
Sempre foi uma característica das mentes pensantes o desassossego. A tranqüilidade passou e passa ao largo dos que vêem grandes dilemas naquilo que aparentemente é simples. A força do hábito força ao simplismo, a generalizações rasas, a preconceitos que se sedimentam trazendo uma leveza diante dos enigmas aparentemente resolvidos e leva aos seres a usarem uma mesma lente para enxergar o mundo, a lente da naturalidade e por conseqüência a modéstia, tão elogiado pelos senhores aos seus escravos.
Pensar e assim problematizar traz efeito inquietante e é visto com maus olhos pelos contemporâneos, a não ser pelas mentes livres que se associam entre si.
Poderia listar uma lista interminável de desassossegados que deixaram belos legados para a posteridade. Não tenho nenhuma pretensão de viver em paz, pois ela não é possível, pois foi Heráclito quem me disse que a vida é guerra e a estabilidade não é possível. A não ser para os que usam a lente do simplismo.
Não nego e quem convive comigo sabe que sou e sempre serei um ser-sendo em estado permanente de desassossego.
Pensar e assim problematizar traz efeito inquietante e é visto com maus olhos pelos contemporâneos, a não ser pelas mentes livres que se associam entre si.
Poderia listar uma lista interminável de desassossegados que deixaram belos legados para a posteridade. Não tenho nenhuma pretensão de viver em paz, pois ela não é possível, pois foi Heráclito quem me disse que a vida é guerra e a estabilidade não é possível. A não ser para os que usam a lente do simplismo.
Não nego e quem convive comigo sabe que sou e sempre serei um ser-sendo em estado permanente de desassossego.
14.5.09
Quetões
Gosto de tratar dos problemas dos indivíduos, mas não quer dizer que trato de problemas individuais.
São questões que todos os indivíduos vivem e, portanto, resolver problemas coletivos passa pelo entendimento dos problemas de caráter existencial.
É possível mudar o mundo sem o bom entendimento sobre quem são os seres que devem mudar? É possível liberdade sem entender a condição humana? É possível traçar planos coletivos sem buscar desvendar o desejo? Adianta mudar se não for em nome da felicidade? E o que é felicidade? Como os seres lidam com ela?
Não olhar para questões existenciais é não procurar entender a sua própria condição, é partir para o mundo sem entender quem nele está.
São questões que todos os indivíduos vivem e, portanto, resolver problemas coletivos passa pelo entendimento dos problemas de caráter existencial.
É possível mudar o mundo sem o bom entendimento sobre quem são os seres que devem mudar? É possível liberdade sem entender a condição humana? É possível traçar planos coletivos sem buscar desvendar o desejo? Adianta mudar se não for em nome da felicidade? E o que é felicidade? Como os seres lidam com ela?
Não olhar para questões existenciais é não procurar entender a sua própria condição, é partir para o mundo sem entender quem nele está.
13.5.09
Inimigos nossos de cada dia...
De uma forma ou de outra, todo mundo acaba por eleger seus inimigos. Eles se caracterizam pela oposição ao que queremos, aos nossos desejos e projeções.
Eu escolhi meus inimigos e eles residem em todas as variações de pragmatismo. Todo sentimento que rejeita a reflexão e buscam apenas resultados imediatos, todo olhar que despreza o que é humano para assumir a morbidez de um robô, todo desdém à filosofia que se representa em um olhar que quer nos dizer: “Diletantes”.
A todo esse tipo de gente, olho como quem quer dizer: “Imbecis”.
Eu escolhi meus inimigos e eles residem em todas as variações de pragmatismo. Todo sentimento que rejeita a reflexão e buscam apenas resultados imediatos, todo olhar que despreza o que é humano para assumir a morbidez de um robô, todo desdém à filosofia que se representa em um olhar que quer nos dizer: “Diletantes”.
A todo esse tipo de gente, olho como quem quer dizer: “Imbecis”.
11.5.09
O não dito.
Em uma sociedade caracterizada pelo espetáculo, ou seja, com o que é visto, exposto, e de forma cada vez mais escandalosa, eu me pergunto onde fica a percepção para o que não é tão evidente. Pois no não visto encontramos grandes pérolas, explicações.
Isso mostra o quanto estamos inativos, imóveis, embora façamos muito, mas fazer muito não significa fazer.
Se vemos muito e fazemos muito, não o realizamos pela nossa liberdade de criação e percepção e sim pelo bombardeio de uma forma específica de civilização na qual estamos metidos, estamos perdendo nossa capacidade de projeção e de entendimento e alguém sempre faz isso por nós.
Se não voltarmos os olhos para o que não é dito, não mostrado... estaremos perdidos. E nessa história não há herói, a não ser nós mesmos...
Isso mostra o quanto estamos inativos, imóveis, embora façamos muito, mas fazer muito não significa fazer.
Se vemos muito e fazemos muito, não o realizamos pela nossa liberdade de criação e percepção e sim pelo bombardeio de uma forma específica de civilização na qual estamos metidos, estamos perdendo nossa capacidade de projeção e de entendimento e alguém sempre faz isso por nós.
Se não voltarmos os olhos para o que não é dito, não mostrado... estaremos perdidos. E nessa história não há herói, a não ser nós mesmos...
16.1.09
Justa medida
Quando falei outro dia que temos que nos acostumar com a imperfeição, é que muitas das confusões têm a ver com a quimérica chegada ao que é perfeito. Nunca o teremos, embora possamos buscá-lo.
Assumir tal perspectiva, qual seja, da conformidade ao imperfeito, não é para defender que a partir de agora temos que buscá-la, mas que nunca deixaremos de tê-la.
Por isso que nunca rejeito integralmente ao passo que nunca aceito integralmente nada. Chega de idolatria e de demonização.
Acho que assim estou sendo mais dialético. Entendo o mundo como um conjunto de possibilidades e não de coisas acabadas.
Assim é meu juízo sobre as coisas e as pessoas.
Assumir tal perspectiva, qual seja, da conformidade ao imperfeito, não é para defender que a partir de agora temos que buscá-la, mas que nunca deixaremos de tê-la.
Por isso que nunca rejeito integralmente ao passo que nunca aceito integralmente nada. Chega de idolatria e de demonização.
Acho que assim estou sendo mais dialético. Entendo o mundo como um conjunto de possibilidades e não de coisas acabadas.
Assim é meu juízo sobre as coisas e as pessoas.
22.12.08
Individualismo?
Ouço não poucas vezes de alguns críticos de nossa sociedade que o mundo anda muito individualista.
Talvez não seja bem assim... o que vejo é uma uniformização de atos. Todos acabam agindo da mesma maneira. Ninguém pratica os hábitos narcisistas e comportamentos pouco coletivos de hoje em dia por escolha da própria consciência, é uma regra universal ao ponto de tornar ridículo que não comunga dos mesmos atos. Olho para o mundo vejo todos marchando em fila indiana, com os mesmos juízos, estereótipos e tudo mais.
Onde está o tal indivíduo? Dissolvido na geléia geral.
Não é a liberdade individual que cria problemas para o mundo, se não que o oposto. A liberdade que deveria ser exercida poderia sim construir um mundo melhor.
As pessoas vivem como cordeiros, guiadas magistralmente em um grande rebanho. Todos dóceis, sem pretensões e achando que estão sento autênticas.
Não devemos cair em tal armadilha. Falar contra a autonomia é defender tal falsidade.
Talvez não seja bem assim... o que vejo é uma uniformização de atos. Todos acabam agindo da mesma maneira. Ninguém pratica os hábitos narcisistas e comportamentos pouco coletivos de hoje em dia por escolha da própria consciência, é uma regra universal ao ponto de tornar ridículo que não comunga dos mesmos atos. Olho para o mundo vejo todos marchando em fila indiana, com os mesmos juízos, estereótipos e tudo mais.
Onde está o tal indivíduo? Dissolvido na geléia geral.
Não é a liberdade individual que cria problemas para o mundo, se não que o oposto. A liberdade que deveria ser exercida poderia sim construir um mundo melhor.
As pessoas vivem como cordeiros, guiadas magistralmente em um grande rebanho. Todos dóceis, sem pretensões e achando que estão sento autênticas.
Não devemos cair em tal armadilha. Falar contra a autonomia é defender tal falsidade.
21.12.08
Autonomia e adesão
Leio para ver o mundo com outras lentes. Cada pensador me oferece uma lente para ver o mundo, mas acho que cada indivíduo deveria fabricar a sua. Não para rejeitar simplesmente ou para aderir por formalidade, mas para exercer o vigor que cada ser tem.
O desafio é precisamente não pensar com a cabeça alheia, se não com a própria. Não quero dizer que não é possível que pessoas pensem identicamente ou que não se possa haver adesão a algo ou alguém, mas tal ato deve ser feito através do exercício tortuoso da autonomia.
Sobre tal aspecto, Sartre nos faz uma bela explanação, a meu ver, quando trata da questão do conceito de “Grupo” em “Crítica da razão dialética”. Ou seja, como é possível que um sujeito apoderado de sua individualidade pode em alguns (ou muitos) momentos fazer adesão à algo?
Faço referência à questão simplesmente pelo incômodo que tenho quando vejo um suposto individualista rejeitar a idéia de adesão a algo, por entender que assim se perde a individualidade. E o faço também para os coletivistas que supõem que aderir é perder identidade, singularidade, independência.
A adesão que pressupõe a entrega servil e fanática, muitas vezes, é o caminho para a escravidão. Por tanto, não leio para aderir, se não que para superar, ir além (Hegel nos apresenta o conceito de Subsumir – e devo esclarecer que não sou hegeliano). Quando falo em superar sei que estou sendo muito, muito pretensioso, mas também acho que todos deveriam ser.
Obs 1: O que falei cai como uma luva para a política, aliás vamos ler a obra de Sartre acima citada.
Obs 2: Cito Hegel sem ser hegeliano para provar que as lentes apresentadas na história do pensamento são válidas e não se pode simplesmente rejeitar ou aderir a um sistema de pensamento de qualquer pensador. Por mais que gostemos de um pensador, ele não é deus e seus livros não são textos sagrados e por mais que rejeitemos um pensador, ele não é o diabo e seus livros são proibidos ( Olha “O nome da rosa” aí gente...)
O desafio é precisamente não pensar com a cabeça alheia, se não com a própria. Não quero dizer que não é possível que pessoas pensem identicamente ou que não se possa haver adesão a algo ou alguém, mas tal ato deve ser feito através do exercício tortuoso da autonomia.
Sobre tal aspecto, Sartre nos faz uma bela explanação, a meu ver, quando trata da questão do conceito de “Grupo” em “Crítica da razão dialética”. Ou seja, como é possível que um sujeito apoderado de sua individualidade pode em alguns (ou muitos) momentos fazer adesão à algo?
Faço referência à questão simplesmente pelo incômodo que tenho quando vejo um suposto individualista rejeitar a idéia de adesão a algo, por entender que assim se perde a individualidade. E o faço também para os coletivistas que supõem que aderir é perder identidade, singularidade, independência.
A adesão que pressupõe a entrega servil e fanática, muitas vezes, é o caminho para a escravidão. Por tanto, não leio para aderir, se não que para superar, ir além (Hegel nos apresenta o conceito de Subsumir – e devo esclarecer que não sou hegeliano). Quando falo em superar sei que estou sendo muito, muito pretensioso, mas também acho que todos deveriam ser.
Obs 1: O que falei cai como uma luva para a política, aliás vamos ler a obra de Sartre acima citada.
Obs 2: Cito Hegel sem ser hegeliano para provar que as lentes apresentadas na história do pensamento são válidas e não se pode simplesmente rejeitar ou aderir a um sistema de pensamento de qualquer pensador. Por mais que gostemos de um pensador, ele não é deus e seus livros não são textos sagrados e por mais que rejeitemos um pensador, ele não é o diabo e seus livros são proibidos ( Olha “O nome da rosa” aí gente...)
20.12.08
Ainda sobre o futuro
Reportei-me nos termos referidos ao futuro por entender nele um conjunto de possibilidades.
Sim, o futuro é um conjunto de possibilidades sempre em aberto, pronto para ser projetado pelo ser existente (com redundância mesmo).
Assim não falo dele como uma causa necessária e independente do ser (das pessoas) que o constrói.
Repito: O futuro está em nosso horizonte projetivo e por isso é um conjunto de possibilidades e não necessidade.
É por isso que o passado, enquanto narrativa, pode ser refeito, re-significado.
Os fatos existiram, mas as conclusões que tiro dele pode ser diverso, e é por isso que digo que o discurso histórico é uma interpretação. É o ser humano quem cria, acredita, nega suas narrativas. O quebra cabeça é montado de acordo com o sentido que quero dar ao fato para o futuro.
Sim, o futuro é um conjunto de possibilidades sempre em aberto, pronto para ser projetado pelo ser existente (com redundância mesmo).
Assim não falo dele como uma causa necessária e independente do ser (das pessoas) que o constrói.
Repito: O futuro está em nosso horizonte projetivo e por isso é um conjunto de possibilidades e não necessidade.
É por isso que o passado, enquanto narrativa, pode ser refeito, re-significado.
Os fatos existiram, mas as conclusões que tiro dele pode ser diverso, e é por isso que digo que o discurso histórico é uma interpretação. É o ser humano quem cria, acredita, nega suas narrativas. O quebra cabeça é montado de acordo com o sentido que quero dar ao fato para o futuro.
18.12.08
O futuro
Sim, o futuro é o senhor de tudo. É a ele que prestamos conta agora, é por ele que falamos, agimos, escrevemos... Todas as ações miram-se lá, buscam lá o seu vigor, medo, angústia e tudo mais que é transcendente.
Esse ainda-não-ser é tão soberano que até quando falo do passado, é por ele que dou sentido ao ocorrido, é com vista nele que criamos as narrativas. O ponto de partida é sempre onde quero chegar, e não onde estou. Mesmo que não tenha consciência disso, é por tal horizonte que firmo o pé no chão. Vou lá, defino o que quero e volto ao presente para dar sentido a tudo que existe, e diga-se de passagem não tem sentido se não na consciência.
O que se vive, é bom, é ruim? Depende do que você quer para o futuro, das realizações. Ora, o valor, meus caros, só existe na nossa cabeça. A mesma água que é fundamental para a vida, pode matar.
Ora, o que há com o mundo hoje? Se o futuro é tão importante, que valor damos a ele?
Esse ainda-não-ser é tão soberano que até quando falo do passado, é por ele que dou sentido ao ocorrido, é com vista nele que criamos as narrativas. O ponto de partida é sempre onde quero chegar, e não onde estou. Mesmo que não tenha consciência disso, é por tal horizonte que firmo o pé no chão. Vou lá, defino o que quero e volto ao presente para dar sentido a tudo que existe, e diga-se de passagem não tem sentido se não na consciência.
O que se vive, é bom, é ruim? Depende do que você quer para o futuro, das realizações. Ora, o valor, meus caros, só existe na nossa cabeça. A mesma água que é fundamental para a vida, pode matar.
Ora, o que há com o mundo hoje? Se o futuro é tão importante, que valor damos a ele?
15.12.08
Pausadamente
Mundo.
Eu.
Fundo.
Mundo meu.
Ser.
Seu.
Juntos.
Mundo teu.
Sendo.
Tudo.
Nada.
Escolha eu.
Também.
Aquém.
Além.
Seja teu.
Olhando.
Fazendo.
Transformando.
Mundo breu.
Eu.
Fundo.
Mundo meu.
Ser.
Seu.
Juntos.
Mundo teu.
Sendo.
Tudo.
Nada.
Escolha eu.
Também.
Aquém.
Além.
Seja teu.
Olhando.
Fazendo.
Transformando.
Mundo breu.
13.12.08
Viva a fluidez
A nossa tradição criou o homem zumbi, o homem infeliz, depressivo. É tão óbvio quanto não visto.
O que esperar de um modo de vida que valoriza o sofrimento? Ou não é verdade que se valoriza as pessoas que sofrem em nome de algo, que trabalham demasiadamente, que trocam a sua vida para se dedicarem a outras, que reprimem os desejos em nome da razão?
Ou seja, são valorizadas as pessoas que exercem o que não são. Não é à toa que temos uma sociedade extremamente depressiva, obcecada para realizar os estereótipos difundidos, e toda depressão é canalizada para o consumo.
Se as pessoas fossem autenticas não precisariam resolver suas carências depressivas no consumo.
Nietzsche nos diz “torna-te o que és.”
Exercer tal liberdade não é praticar perversidade com os outro, se não que a repressão ideológica referida é que promove o destoante.
O sistema é tão cruel que criou uma teia de controle alheio, onde cada indivíduo não exerce sua liberdade e vigia os outros. E tudo mais é punição.
Bom, o que vejo é um mundo doente. E isso não é pessimismo, é apenas um diagnóstico.
O que esperar de um modo de vida que valoriza o sofrimento? Ou não é verdade que se valoriza as pessoas que sofrem em nome de algo, que trabalham demasiadamente, que trocam a sua vida para se dedicarem a outras, que reprimem os desejos em nome da razão?
Ou seja, são valorizadas as pessoas que exercem o que não são. Não é à toa que temos uma sociedade extremamente depressiva, obcecada para realizar os estereótipos difundidos, e toda depressão é canalizada para o consumo.
Se as pessoas fossem autenticas não precisariam resolver suas carências depressivas no consumo.
Nietzsche nos diz “torna-te o que és.”
Exercer tal liberdade não é praticar perversidade com os outro, se não que a repressão ideológica referida é que promove o destoante.
O sistema é tão cruel que criou uma teia de controle alheio, onde cada indivíduo não exerce sua liberdade e vigia os outros. E tudo mais é punição.
Bom, o que vejo é um mundo doente. E isso não é pessimismo, é apenas um diagnóstico.
7.12.08
O que é história?
Mas afinal o que é história?
Faço essa pergunta para tentar mostrar que não é tão óbvio como se parece.
Há sempre uma confusão em tentar dar aos saberes humanos a pretensa exatidão das chamadas ciências exatas. É irônico, pois nem elas o são.
A tentativa de fazer da história um saber absoluto, no qual, segundo essa linha, a tornaria espaço para uma verdade absoluta e assim as outras versões seriam errôneas, acaba por lhe tirar seu caráter político. Ora, é opostamente o fato de a história, enquanto historiografia, ser um discurso sobre, que a faz um campo de disputa sempre, e nesse sentido a historiografia é sempre política.
Para resumir: A historiografia é um discurso e não uma verdade, e é por ser discurso que está em aberto, é uma guerra de versões, é uma disputa, é política. De outra maneira seria infértil.
Agora uma provocação: A verdade absoluta empobrece tudo que toca.
Faço essa pergunta para tentar mostrar que não é tão óbvio como se parece.
Há sempre uma confusão em tentar dar aos saberes humanos a pretensa exatidão das chamadas ciências exatas. É irônico, pois nem elas o são.
A tentativa de fazer da história um saber absoluto, no qual, segundo essa linha, a tornaria espaço para uma verdade absoluta e assim as outras versões seriam errôneas, acaba por lhe tirar seu caráter político. Ora, é opostamente o fato de a história, enquanto historiografia, ser um discurso sobre, que a faz um campo de disputa sempre, e nesse sentido a historiografia é sempre política.
Para resumir: A historiografia é um discurso e não uma verdade, e é por ser discurso que está em aberto, é uma guerra de versões, é uma disputa, é política. De outra maneira seria infértil.
Agora uma provocação: A verdade absoluta empobrece tudo que toca.
28.11.08
Todos os tempos
Todos os tempos
habitam no meu
De todos os nomes
meu e teu
Todos os tempos
estão presentes
Nítidos mesmo
que ausentes
Todos os tempos
me pertencem
Unidos nos fios
que se tecem
Todos os tempos
estão abertos
Livres, vívidos
Mesmo que desertos.
habitam no meu
De todos os nomes
meu e teu
Todos os tempos
estão presentes
Nítidos mesmo
que ausentes
Todos os tempos
me pertencem
Unidos nos fios
que se tecem
Todos os tempos
estão abertos
Livres, vívidos
Mesmo que desertos.
O lugar da perfeição.
Eu acredito em um mundo perfeito, e ele existe nas nossas cabeças.
Parece-me que há cerca de seis bilhões de mundos perfeitos atualmente.Como ele não deve ser importo, e mesmo que fosse não se realizaria, bem vindos à imperfeição!
Parece-me que há cerca de seis bilhões de mundos perfeitos atualmente.Como ele não deve ser importo, e mesmo que fosse não se realizaria, bem vindos à imperfeição!
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