Todos os tempos
habitam no meu
De todos os nomes
meu e teu
Todos os tempos
estão presentes
Nítidos mesmo
que ausentes
Todos os tempos
me pertencem
Unidos nos fios
que se tecem
Todos os tempos
estão abertos
Livres, vívidos
Mesmo que desertos.
28.11.08
O lugar da perfeição.
Eu acredito em um mundo perfeito, e ele existe nas nossas cabeças.
Parece-me que há cerca de seis bilhões de mundos perfeitos atualmente.Como ele não deve ser importo, e mesmo que fosse não se realizaria, bem vindos à imperfeição!
Parece-me que há cerca de seis bilhões de mundos perfeitos atualmente.Como ele não deve ser importo, e mesmo que fosse não se realizaria, bem vindos à imperfeição!
27.11.08
Especilaista ou Generalista?
Um colega meu, professor de história, me disse ao comentar um livro que estava a ler que a doença atual do mundo é a “gestologia”, essa tara por gestão, como se todos os problemas do mundo fossem resolvidos com uma palavra mágica chamada gestão.
Meus caros, vos digo: Concordo integralmente e reforço com meus parcos argumentos:
Só uma sociedade demasiadamente estéril de pensamento, pode se encastelar na técnica. Tudo se resume aos gráficos, números e os problemas da vida deixam de ter o calor das pessoas e sentimentos a elas envolvidas, para assumir a frieza do gestor.
Há por assim dizer, uma ditadura conceitual que diz que, ou a opinião à cerca de uma questão é de um gestor, técnico do ramo ou não serve.
O chamado “generalista” não tem mais espaço. O que é o intelectual se não o “generalista”? só ele pode falar livremente, e essa prática abre caminho para o novo, para a reflexão, para novos e diferentes olhares sobre os nossos problemas.
O que está acontecendo diante de nossos olhos é consolidação de um modo de vida que condiciona até os que se opõem a ela. Como defensor e aspirante a “generalista” cito um exemplo desse condicionamento: A política virou serva da economia. Não se discute política, se discute as possibilidades que a economia permite para a política.
Para me contrapor, afirmo: Política está mais próxima de uma obra de arte abstrata do que de um gráfico. E garanto que os chatos de galocha vão estranhar a palavra “abstrata”, é que quem não gosta de pensar tem ojeriza à abstração.
Meus caros, vos digo: Concordo integralmente e reforço com meus parcos argumentos:
Só uma sociedade demasiadamente estéril de pensamento, pode se encastelar na técnica. Tudo se resume aos gráficos, números e os problemas da vida deixam de ter o calor das pessoas e sentimentos a elas envolvidas, para assumir a frieza do gestor.
Há por assim dizer, uma ditadura conceitual que diz que, ou a opinião à cerca de uma questão é de um gestor, técnico do ramo ou não serve.
O chamado “generalista” não tem mais espaço. O que é o intelectual se não o “generalista”? só ele pode falar livremente, e essa prática abre caminho para o novo, para a reflexão, para novos e diferentes olhares sobre os nossos problemas.
O que está acontecendo diante de nossos olhos é consolidação de um modo de vida que condiciona até os que se opõem a ela. Como defensor e aspirante a “generalista” cito um exemplo desse condicionamento: A política virou serva da economia. Não se discute política, se discute as possibilidades que a economia permite para a política.
Para me contrapor, afirmo: Política está mais próxima de uma obra de arte abstrata do que de um gráfico. E garanto que os chatos de galocha vão estranhar a palavra “abstrata”, é que quem não gosta de pensar tem ojeriza à abstração.
21.11.08
O espelho
Uma cara no espelho de um banheiro úmido e quente de um pé sujo qualquer. Um pé sujo que de tão qualquer, desaparece da memória. O rosto talvez pareça molhado de cansaço, solto pelo ar do pensamento distante, denunciado pelo olhar-além: o que está a frente do olho pouco importa. Nessa hora o abstrato vira concreto, a fluidez vira fardo e por vezes, inversamente, o sólido se dissolve. O nove vira zero.
As circunstâncias estocam os olhos avermelhados e o espelho pela primeira vez tem plasticidade para além do objeto domesticado que comumente é. É uma moldura pronta para ser preenchida, mesmo que o ser próprio sempre permaneça de frente para o mesmo. O olhar diz quem é o espelho, não é ele que diz a cor do olho, é olho que diz de si mesmo. O mesmo olho que absorve do mundo os instrumentos do juízo. Quem não é juiz?
Indiscernível em determinada altura de acontecimento saber se a gordura é espelho ou rosto, quiçá uma camada intermediária de matéria desenhada cuidadosamente pelos acontecimentos anteriores, pois os dois têm uma historicidade, uma textura temporal, já que o tempo também tem espessura, uma rugosidade proporcional ao desfrute. Pobre de quem não tem espessura rugosa. Geralmente exigimos menos desgaste do espelho afim de se tornar mais palatável ao consumo, parecer novo no mercado: sinais dos tempos. Pura contradição querer menos corrosão para ser passível de ser corroído, e ao sê-lo exigir não ser.
Não seria estranho avaliar um tempo por suas contradições, e o dilema agora está no espelho, essa coisa que aprisiona e se funde no rosto para impedir que os olhos alcancem o além e transcenda no outro a sua própria diferença. Quem mais existe a não ser quem se prende diante de tal objeto? O olhar capta quem olha e torna o outro um si próprio, tudo mais é irreconhecível, assustador pois desconhecido. Narciso é o nome único, nome de quem olha que se torna de todos.
Nesse momento é possível concluir, e possibilidade não é necessidade, que captar um tempo pode ser captar um segundo, uma fração mínima, tão pequena que é incapaz de conter o volume de sentimento, de idéias, aquilo que é capitado no instante, e é aí que transborda: o recipiente não contém o conteúdo. Momento mágico, só as mentes livres transbordam. Quem está dentro de um recipiente não consegue entender a possibilidade de outra dimensão, o espelho pode refletir não só um rosto, mais a depender do movimento intencional de quem vê, pode refletir outra coisa mesmo que seja nada: quem vê é o olho do juiz.
E por falar em tempo, já passou um segundo desde o encontro despropositado entre o rosto e o espelho, é preciso abrir a porta, respirar outros ares e fingir a mais pura sobriedade. Todo mundo saberia que é mentira, desde que um único ser daquela multidão fora do banheiro enxergasse aquele rosto fingidor. Tudo bem, a sobriedade é um porre.
Mais um segundo se passou, é preciso sair, tem um outro rosto querendo aquele espelho.
As circunstâncias estocam os olhos avermelhados e o espelho pela primeira vez tem plasticidade para além do objeto domesticado que comumente é. É uma moldura pronta para ser preenchida, mesmo que o ser próprio sempre permaneça de frente para o mesmo. O olhar diz quem é o espelho, não é ele que diz a cor do olho, é olho que diz de si mesmo. O mesmo olho que absorve do mundo os instrumentos do juízo. Quem não é juiz?
Indiscernível em determinada altura de acontecimento saber se a gordura é espelho ou rosto, quiçá uma camada intermediária de matéria desenhada cuidadosamente pelos acontecimentos anteriores, pois os dois têm uma historicidade, uma textura temporal, já que o tempo também tem espessura, uma rugosidade proporcional ao desfrute. Pobre de quem não tem espessura rugosa. Geralmente exigimos menos desgaste do espelho afim de se tornar mais palatável ao consumo, parecer novo no mercado: sinais dos tempos. Pura contradição querer menos corrosão para ser passível de ser corroído, e ao sê-lo exigir não ser.
Não seria estranho avaliar um tempo por suas contradições, e o dilema agora está no espelho, essa coisa que aprisiona e se funde no rosto para impedir que os olhos alcancem o além e transcenda no outro a sua própria diferença. Quem mais existe a não ser quem se prende diante de tal objeto? O olhar capta quem olha e torna o outro um si próprio, tudo mais é irreconhecível, assustador pois desconhecido. Narciso é o nome único, nome de quem olha que se torna de todos.
Nesse momento é possível concluir, e possibilidade não é necessidade, que captar um tempo pode ser captar um segundo, uma fração mínima, tão pequena que é incapaz de conter o volume de sentimento, de idéias, aquilo que é capitado no instante, e é aí que transborda: o recipiente não contém o conteúdo. Momento mágico, só as mentes livres transbordam. Quem está dentro de um recipiente não consegue entender a possibilidade de outra dimensão, o espelho pode refletir não só um rosto, mais a depender do movimento intencional de quem vê, pode refletir outra coisa mesmo que seja nada: quem vê é o olho do juiz.
E por falar em tempo, já passou um segundo desde o encontro despropositado entre o rosto e o espelho, é preciso abrir a porta, respirar outros ares e fingir a mais pura sobriedade. Todo mundo saberia que é mentira, desde que um único ser daquela multidão fora do banheiro enxergasse aquele rosto fingidor. Tudo bem, a sobriedade é um porre.
Mais um segundo se passou, é preciso sair, tem um outro rosto querendo aquele espelho.
16.11.08
Poesia
Quero
Quero me acabar em poesia,
vos digo.
Quero vê-la em tudo,
Nos recantos escondidos
dos olhares cotidianos,
Quero ouvi-la nas vozes
e nos ruídos mundanos,
Ser perseguido passo a passo
para abraçá-la com os olhos,
Senti-la em sua temperatura.
Quero aprisionar-me a ela
tal qual um pássaro livre,
Quero degustá-la sem sobriedade
para nunca me fartar,
Quero a claridade de seu som
e deleitar-me na sua subversão,
Banhar-me na sua impureza,
Encontrar-me com a sua inquietação,
Inebriar-me na sua perfeita imperfeição.
Apenas quero,
Como quem quer eterno querer
para saber que sempre busco,
Quero a poesia, o mundo,
eterna redundância.
Severino
Quero me acabar em poesia,
vos digo.
Quero vê-la em tudo,
Nos recantos escondidos
dos olhares cotidianos,
Quero ouvi-la nas vozes
e nos ruídos mundanos,
Ser perseguido passo a passo
para abraçá-la com os olhos,
Senti-la em sua temperatura.
Quero aprisionar-me a ela
tal qual um pássaro livre,
Quero degustá-la sem sobriedade
para nunca me fartar,
Quero a claridade de seu som
e deleitar-me na sua subversão,
Banhar-me na sua impureza,
Encontrar-me com a sua inquietação,
Inebriar-me na sua perfeita imperfeição.
Apenas quero,
Como quem quer eterno querer
para saber que sempre busco,
Quero a poesia, o mundo,
eterna redundância.
Severino
15.11.08
Comentário seco para um mundo seco.
Que espécie de mundo estamos criando ao só valorizarmos a eficiência, o sucesso, a vitória, o resultado? hoje não se tolera o erro, o pensamento livre. Não se faz possível tolerar nada, nada que não seja o resultado positivo. Nunca se mede a intencionalidade, já que só é válido o resultado prático das ações.
Estamos construindo uma sociedade insuportavelmente pragmática e qualquer iniciativa que não se enquadre a tal feito é visto pejorativamente como mero diletantismo. Estou a assistir um surto de loucura coletiva, tudo em nome da racionalidade técnica de nossos dias. Em um mundo assim não há espaço para o lúdico, para os sonhos...
Prefiro um modo de vida estético, lúdico, mesmo que os pragmáticos e inférteis me chamem de louco...
Como nos diz a canção de Ney Matogrosso "Mas louco é quem me diz, e não é feliz..."
Estamos construindo uma sociedade insuportavelmente pragmática e qualquer iniciativa que não se enquadre a tal feito é visto pejorativamente como mero diletantismo. Estou a assistir um surto de loucura coletiva, tudo em nome da racionalidade técnica de nossos dias. Em um mundo assim não há espaço para o lúdico, para os sonhos...
Prefiro um modo de vida estético, lúdico, mesmo que os pragmáticos e inférteis me chamem de louco...
Como nos diz a canção de Ney Matogrosso "Mas louco é quem me diz, e não é feliz..."
15.9.08
Pensadores
"Diletantes, diletantes! - Assim os que exercem uma ciência ou uma arte por amor a ela, por alegria, per il loro diletto [pelo seu deleite], são chamados com desprezo por aqueles que se consagram a tais coisas com vistas ao que ganham, porque seu objetivo dileto é o dinheiro que têm a receber. Esse desdém se baseia na sua convicção desprezível de que ninguém se dedicaria seriamente a um assunto se não fosse impelido pela necessidade, pela fome ou por uma avidez semelhante. O público possui o mesmo espírito e, por conseguinte, a mesma opinião: daí provém seu respeito habitual pelas "pessoas da área" e sua desconfiança em relação aos diletantes. Na verdade, para o diletante, ao contrário, o assunto é o fim, e para o homem da área como tal, apenas um meio. No entanto, só se dedicará a um assunto com toda a seriedade alguém que esteja envolvido de modo imediato e que se ocupe dele com amor, con amore. É sempre de tais pessoas, e não dos assalariados, que vêm as grandes descobertas."Schopenhauer
14.9.08
O poder da chatice e chatice do poder
Outro dia fiquei a saber que um sersendo não conseguiu um emprego pelo fato de que o seu entrevistador deu uma olhada no orkut do entrevistado. Descobriu que o candidato fazia parte de uma comunidade intitulada "eu odeio trabalhar".
Mais um indício de que o mundo está cada vez mais chato. Ridículo é exigir que as pessoas vivam só de sobriedade. Os idiotas de plantão exercem seu poder para tolir nos outros a fluidez que não conseguem praticar. Não bastasse viver limitadamente sem sal, fazem do seu esporte preferido a perseguição alheia. Cada exemplo de leveza dos outros surte o efeito de uma bofetada. Pura pobreza de espírito de quem não entende que a desrazão é parte integrante e fundamental da vida: a infelicidade deve rondar o seu ser.
Além do mais, trabalhar em algo que dê prazer é uma dádiva de poucos: Verdade seja dita.
Ninguém perde em gostar do ócio.
28.8.08
Pensadores
24.3.07
Poema

Perdoem
Perdoem meus excessos
Pobres mortais.
Perdoem o peso que sai da minha boca
Se não, não sou eu mais.
Perdoem o meu olhar indiscreto
Minha incoveniência satírica
Minha forma de caminhar
Minha ação empírica.
Perdoem as minhas aspirações
Meu ouvir diferente
Minha introspecção que insiste
Meu desejo indecente.
Perdoem também a vida
Que é uma guerra
Onde a vida é difícil vingar
Caminhem com suas próprias pernas
Mas não se esqueçam de me perdoar.
Fragmentos

Tenho uma ligeira queda pelos fragmentos, eles nos estimulam a pensar a buscar o sentido, tira o cérebro da atrofia. Prefiro isso aos discursos prontos, mastigados que nos dizem de onde vêm e para onde vai.
O fragmento impõe mais que qualquer outra coisa a resignificação e o faz deixando claro que está fazendo.
É um bate papo, não um discurso.
O fragmento impõe mais que qualquer outra coisa a resignificação e o faz deixando claro que está fazendo.
É um bate papo, não um discurso.
10.3.07
9.3.07
Fragmentos

Não há filosofia sem vida. Não consigo suportar a idéia separada da existência, e uma parcela da tradição busca na segregação (vida e idéia / experiência e razão) o caminho para o conhecimento.
Busca-se uma razão pura. Pura de que? Do homem? Da vida real?
Por isso digo que só há pensamento justamente pelo fato da existência. Sem ela não há possibilidades, potência...Primeiro existo, depois penso. Essa é máxima existencial, assim inverte-se a máxima cartesiana: “Penso, logo existo”.
O pensamento pode e constata a existência, mas só penso por causa de minha existência, ela antecede a qualquer outra questão. Não se pensa sem existir.
Dessa forma, o pensamento está indissoluvelmente ligado à vida concreta. Sou as minhas experiências e meus pensamentos surgem daí.
Prefiro a vida. A questão não é a verdade, o conceito de verdade, mas o que se faz com ela.
Busca-se uma razão pura. Pura de que? Do homem? Da vida real?
Por isso digo que só há pensamento justamente pelo fato da existência. Sem ela não há possibilidades, potência...Primeiro existo, depois penso. Essa é máxima existencial, assim inverte-se a máxima cartesiana: “Penso, logo existo”.
O pensamento pode e constata a existência, mas só penso por causa de minha existência, ela antecede a qualquer outra questão. Não se pensa sem existir.
Dessa forma, o pensamento está indissoluvelmente ligado à vida concreta. Sou as minhas experiências e meus pensamentos surgem daí.
Prefiro a vida. A questão não é a verdade, o conceito de verdade, mas o que se faz com ela.
27.2.07
Em-Tempo

Desfiles de escolas de samba como estamos vendo, com notas, critérios rígidos, tempo, celebridades, dinheiro, hierarquia...
Pode ser qualquer coisa, menos carnaval.
O carnaval é justamente a quebra de hierarquia, onde todos são iguais e qualquer um pode ser tudo sem chamar a atenção dos valores tradicionais. Poderia mesmo dizer que é uma festa dionisíaca.
Mas depois que criaram uma tal de liga, direito de imagem, sambódromo (lugar onde o samba corre), notas...e em decorrência comentários como: “essa é a melhor” ou “aquela foi a pior, por isso foi rebaixada”.
Ou seja, isso virou competição, virou ritual apolíneo. Virou também espetáculo onde uns são ativos e outros espectadores (passivos). Pois é, no carnaval todos são ativos e nunca espectadores, todos são protagonistas...
Carnaval não é razão, tudo menos isso... O povo não é bobo, e mesmo de forma inconsciente vem revitalizando os blocos.
Aos burocratas da razão, a burocracia. Ao carnaval, a festa...
Pode ser qualquer coisa, menos carnaval.
O carnaval é justamente a quebra de hierarquia, onde todos são iguais e qualquer um pode ser tudo sem chamar a atenção dos valores tradicionais. Poderia mesmo dizer que é uma festa dionisíaca.
Mas depois que criaram uma tal de liga, direito de imagem, sambódromo (lugar onde o samba corre), notas...e em decorrência comentários como: “essa é a melhor” ou “aquela foi a pior, por isso foi rebaixada”.
Ou seja, isso virou competição, virou ritual apolíneo. Virou também espetáculo onde uns são ativos e outros espectadores (passivos). Pois é, no carnaval todos são ativos e nunca espectadores, todos são protagonistas...
Carnaval não é razão, tudo menos isso... O povo não é bobo, e mesmo de forma inconsciente vem revitalizando os blocos.
Aos burocratas da razão, a burocracia. Ao carnaval, a festa...
21.2.07
Em-Tempo

Sobre a violência:
Estamos todos no mesmo barco e deveríamos achar isso.
Contribuiriam mais para amenizar o problema da violência, se os meios de comunicação colocassem o debate em seu devido eixo ao invés de fazerem uso dos incidentes bárbaros para difundirem suas idéias pré-definidas.
Quando duas pessoas passam a viverem em sociedade, passam a estabelecerem regras de convivência para tornarem a vida possível. O que fazem as partes cumprirem o acordo é o fato de acreditarem coletivamente no mesmo projeto e se sentirem pertencentes e responsáveis por ele.
Quando uma das partes perde esse sentido, as regras passam também a não terem nenhum valor. Conseqüência: Quem não acredita mais na sociedade passa a descumprir as regras, pois sabemos que cumpri-las exige acreditar em algo maior que a tentadora vontade de não cumpri-la.
Quando pego um dinheiro emprestado com um amigo, por exemplo, posso ficar tentado a não pagar, pois é mais vantajoso para mim. Porém pago o dinheiro pelo fato de continuar a desfrutar da confiança que me faz pegar dinheiro emprestado novamente se precisar de novo. Se não pago, posso levar um não. Ou seja, troco a vantagem concreta por um valor que compartilho com meu amigo, um bem maior.
A grande lição é: Para cumprir uma norma, preciso compartilhar valores, preciso ter o sentimento de pertencer a uma sociedade e ter consciência do outro, preciso ter um sentido de futuro em minha mente.
Porém, estamos no auge do individualismo, não estamos interessados pelo mundo (mundo, leia-se também as pessoas), a não ser no discurso. Pagamos propina para não pagarmos multa, jogamos lixo no chão, se precisar posso até matar para livrar a nossa cara, posso também usar a força e espancar alguém por causa de uma pequena divergência.
Quanto ao pertencimento, não precisamos ir muito longe. Para alguns, a sociedade na forma do Estado só surge para exigir dever (incluí-se punir) e nunca para dividir direitos. Como diz uma música dos Engenheiros do Havaí: “Todos iguais, mais uns mais iguais que outros.”
Existe uma parcela da sociedade que vive sob outros valores, mais brutais. Conhecem só a lei do mais forte. O que queremos de retribuição? Quem diz que não tem nada a ver com isso, pratica o pior dos individualismos, como se o Ser fosse completo e descolado do mundo.
Uma prova de que há outros valores foi uma matéria publicada a dois anos por uma revista de circulação nacional em que uma pesquisadora paulista entrevistou jovens ligados ao crime. A opinião geral deles era que não havia importância no fato de poderem morrer amanhã, tinham o hoje e isso era suficiente. A regra era viver/consumir, ter respeito, liderança nem que seja só por hoje.
Exigir que pessoas assim respeitem a nossa vida, quando sequer respeitam as suas?
Então é preciso estabelecer o valor da vida, do respeito ao outro que começa no respeito a si próprio. O investimento em educação, esporte e arte é uma solução tão óbvia e falada quanto não praticada.
É preciso estimular a sensibilidade, ela torna o mundo melhor. Achar que endurecendo as penas vamos reduzir drasticamente a violência é uma ilusão típica das soluções instantâneas e mágicas que todo mundo faz de bote salva vidas.
Saramago disse que toda vez que está afogado de coisas ruins se agarra a um livro para não afundar na lama. Achar que uns podem fazer uso desse instrumento lúdico para viver e outros não, é achar também que há predestinação à erudição para uns e à badidagem para outros. Ora, se assim fosse não poderíamos culpar os bandidos, pois o critério para a responsabilidade é a liberdade de escolha. Que tal darmos o direito de escolha para poder cobrar com maior veemência pelo dever da responsabilidade?
Estamos todos no mesmo barco e deveríamos achar isso.
Contribuiriam mais para amenizar o problema da violência, se os meios de comunicação colocassem o debate em seu devido eixo ao invés de fazerem uso dos incidentes bárbaros para difundirem suas idéias pré-definidas.
Quando duas pessoas passam a viverem em sociedade, passam a estabelecerem regras de convivência para tornarem a vida possível. O que fazem as partes cumprirem o acordo é o fato de acreditarem coletivamente no mesmo projeto e se sentirem pertencentes e responsáveis por ele.
Quando uma das partes perde esse sentido, as regras passam também a não terem nenhum valor. Conseqüência: Quem não acredita mais na sociedade passa a descumprir as regras, pois sabemos que cumpri-las exige acreditar em algo maior que a tentadora vontade de não cumpri-la.
Quando pego um dinheiro emprestado com um amigo, por exemplo, posso ficar tentado a não pagar, pois é mais vantajoso para mim. Porém pago o dinheiro pelo fato de continuar a desfrutar da confiança que me faz pegar dinheiro emprestado novamente se precisar de novo. Se não pago, posso levar um não. Ou seja, troco a vantagem concreta por um valor que compartilho com meu amigo, um bem maior.
A grande lição é: Para cumprir uma norma, preciso compartilhar valores, preciso ter o sentimento de pertencer a uma sociedade e ter consciência do outro, preciso ter um sentido de futuro em minha mente.
Porém, estamos no auge do individualismo, não estamos interessados pelo mundo (mundo, leia-se também as pessoas), a não ser no discurso. Pagamos propina para não pagarmos multa, jogamos lixo no chão, se precisar posso até matar para livrar a nossa cara, posso também usar a força e espancar alguém por causa de uma pequena divergência.
Quanto ao pertencimento, não precisamos ir muito longe. Para alguns, a sociedade na forma do Estado só surge para exigir dever (incluí-se punir) e nunca para dividir direitos. Como diz uma música dos Engenheiros do Havaí: “Todos iguais, mais uns mais iguais que outros.”
Existe uma parcela da sociedade que vive sob outros valores, mais brutais. Conhecem só a lei do mais forte. O que queremos de retribuição? Quem diz que não tem nada a ver com isso, pratica o pior dos individualismos, como se o Ser fosse completo e descolado do mundo.
Uma prova de que há outros valores foi uma matéria publicada a dois anos por uma revista de circulação nacional em que uma pesquisadora paulista entrevistou jovens ligados ao crime. A opinião geral deles era que não havia importância no fato de poderem morrer amanhã, tinham o hoje e isso era suficiente. A regra era viver/consumir, ter respeito, liderança nem que seja só por hoje.
Exigir que pessoas assim respeitem a nossa vida, quando sequer respeitam as suas?
Então é preciso estabelecer o valor da vida, do respeito ao outro que começa no respeito a si próprio. O investimento em educação, esporte e arte é uma solução tão óbvia e falada quanto não praticada.
É preciso estimular a sensibilidade, ela torna o mundo melhor. Achar que endurecendo as penas vamos reduzir drasticamente a violência é uma ilusão típica das soluções instantâneas e mágicas que todo mundo faz de bote salva vidas.
Saramago disse que toda vez que está afogado de coisas ruins se agarra a um livro para não afundar na lama. Achar que uns podem fazer uso desse instrumento lúdico para viver e outros não, é achar também que há predestinação à erudição para uns e à badidagem para outros. Ora, se assim fosse não poderíamos culpar os bandidos, pois o critério para a responsabilidade é a liberdade de escolha. Que tal darmos o direito de escolha para poder cobrar com maior veemência pelo dever da responsabilidade?
19.2.07
7.2.07
23.1.07
19.1.07
Fragmentos

A única coisa imutável no tempo é o passado. Mas sua imutabilidade é fundamental para o futuro. Aquilo que ainda não é, necessita daquilo que é, pois algo só pode vir a ser diante de um ser petrificado. O projeto depende de algo a superar, se não, não é projeto.
Assim, toda mudança só é, em relação a alguma coisa que permanece e tudo aquilo que permanece é chamado de passado.
Já o futuro não surge a partir de um nada, toda existência estabelece um estado relacional, de modo que só há mudança com estabilidade.
Pode parecer contraditório, mas uma das regras da dialética que diz que tudo flui, ou seja, tudo muda, carrega consigo a idéia de estabilidade: há algo de permanente, e é a mudança.
O tempo é uma prova da dialética diante de nossos olhos.
Baseado em Sartre, podemos estabelecer uma “fórmula” para entender o tempo: O ser é o que já não é, e é o que ainda não é.
Vou escrever mais sobre tal assunto, por hora vamos refletir sobre esta “fórmula”.
Assim, toda mudança só é, em relação a alguma coisa que permanece e tudo aquilo que permanece é chamado de passado.
Já o futuro não surge a partir de um nada, toda existência estabelece um estado relacional, de modo que só há mudança com estabilidade.
Pode parecer contraditório, mas uma das regras da dialética que diz que tudo flui, ou seja, tudo muda, carrega consigo a idéia de estabilidade: há algo de permanente, e é a mudança.
O tempo é uma prova da dialética diante de nossos olhos.
Baseado em Sartre, podemos estabelecer uma “fórmula” para entender o tempo: O ser é o que já não é, e é o que ainda não é.
Vou escrever mais sobre tal assunto, por hora vamos refletir sobre esta “fórmula”.
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